15/06/2016

Foie gras, o grande vilão da gastronomia

Olha, eu espero que entendam o motivo de estar publicando um artigo escrito por por um  chef de cozinha. Ele fala algumas verdades que deveríamos encarar. A proteção animal insiste na proibição do consumo do foie gras sem saber distinguir o que é consumo e o que é produção. Não sabem nem quantos criadores existem no Brasil. Proibir a criação até pode a nível municipal  e estadual, mas, consumir é atribuição federal na qual só os Ministérios da Agricultura e Saúde podem decidir.  Para quem não sabe, temos, apenas, 3 produtores no país (legalizados e que eu descobri). Então, o que adianta fazer Petições se logo em seguida será considerado inconstitucional as tentativas de projetos do legislativo municipal para a proibição de produção e consumo deste produto? (Recife e Belo Horizonte) Gente, ver a proteção animal tão alienada me dá uma gastura danada e me satisfaz muito mais ver um cozinheiro botar o dedo na ferida e sua disposição até de mudar costumes.....
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Quando fui convidado para escrever um blog aqui no Gshow, me recomendaram começar com um texto sobre mim: quem sou, de onde venho, o que faço. Mas a verdade é que vou fazer um suspense e deixar vocês me conhecerem aos poucos. Vou começar falando de um assunto que me deixa indignado sempre que aparece: o foie gras.

Por que a polêmica do foie gras?
O foie gras é, basicamente, um patê de origem francesa, feito de fígado de ganso ou pato bem gordo. Patos e gansos passam por uma engorda natural
durante o inverno, armazenando gordura. Quando os egípcios descobriram isso, começaram a manipular a engorda dos animais para obterem o foie gras o ano todo. Esse processo, que já tem cinco mil anos, é conhecido como gavage e utilizado até hoje.

Como vocês podem imaginar, na época, a descoberta do processo não despertou a fúria de muitas pessoas - o respeito à vida dos animais não era lá uma grande preocupação daquele povo. Mas, hoje, o cenário é outro: temos mais conhecimento, mais informação e uma maior sensibilidade com relação à vida dos animais e, por isso, esse método de produção é polêmico no mundo todo (já foi proibido na Alemanha, Itália, Israel e Grã-Bretanha).

E é claro que, ao ficar sabendo do processo, ficamos sensibilizados. Não vou descrever tim tim por tim tim, mas é um fato: a vida dos patos e gansos que viram foie gras não é nada feliz, livre ou bela.

E o que o Tiago acha de tudo isso?
A polêmica já tem alguns anos em volta do mundo, mas chegou ao Brasil com a proibição da produção, venda e consumo no município de São Paulo, que aconteceu em junho do ano passado (mas a lei foi rapidamente suspendida, por ser considerada inconstitucional). Na época, dois dos meus restaurantes foram criticados por servir a iguaria francesa.

Como eu disse, eu tenho consciência: eu sei que a vida dos patos e gansos não é nada bela. Mas, como chef de cozinha, eu sei também que a vida das vacas não é nada bela, a dos bois não é nada bela, dos frangos, dos pintinhos, dos perus, dos peixes. Nem mesmo os vegetais estão livres de crueldade, sendo deformados e reformados com químicos e agrotóxicos para ganharem cores e formatos mais "bonitos"! Para se ter uma ideia, no processo de produção de carne de aves, os pintinhos machos são descartados em larga escala, já que não produzem ovos. A eliminação é feita por maceração ou sufocamento no primeiro dia de vida. Eles são jogados vivos - sem insensibilização - em máquinas trituradoras ou em sacos plásticos para que morram por sufocamento.

E eis que a nossa dieta é, em geral, constituída à base de ovos, aves, carne bovina e suína. E o foie gras, que se tornou o vilão da produção alimentícia? O consumo da iguaria no Brasil é ínfimo, restrito aos que têm alto poder aquisitivo e nada representativo no cenário sócio-econômico.

E a minha questão, então, é justamente essa: não é um pouco hipócrita proibir um item tão pouco representativo na nossa estrutura alimentar, sob o pretexto de uma preocupação ambiental? Será que isso não é um movimento que, na verdade, está mais preocupado com a imagem do governo e menos com os animais de fato? Ou será que são todos míopes e não veem os problemas mais relevantes?

Digo isso porque, na minha humilde opinião, se o pessoal que faz as leis realmente está preocupado com os animais, proibir o foie gras vai salvar algumas vidas, é claro, e elas são sim muito valiosas. Mas que tal fazer um projeto que reveja a cadeia de produção de carnes? Que tal criar incentivos que diminuam os preços dos alimentos orgânicos para que a população possa tomar decisões éticas que não esvaziem os cofres da família? Não adianta querer proibir o foie gras e achar que o dever está cumprido. Especialmente porque já sabemos como proibições funcionam: quem quer (e pode pagar) sempre acha uma saída. O caminho é rever os padrões, as técnicas de produção e baratear as opções orgânicas.

É como disse a Paola Carosella, do Arturito, no Twitter: "Você sabe se o peru do seu sanduichinho teve uma vida e um abatimento nobre? Vamos abolir o foie gras, ficar com a consciência tranquila, e seguir comendo franguinho que não sabemos como foi criado nem como foi abatido".

Se queremos tomar uma atitude de respeito à vida do animal, precisamos começar a discutir a indústria de alimentos como um todo. O vilão não é o foie gras.

FONTE: gshow.globo

5 comentários:

  1. karina medaglia15/06/2016 13:19

    critica mas não sai da sua vidinha boa explorando os animais, todos, eles, sabe bem o que eles passam mas a graninha que entra no bolso é mais importante né? porque não monta um restaurante vegano e sensibiliza as pessoas? hipócrita

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  2. Faz todo sentido. Temos que deixar de ser hipócritas!

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  3. Acredito que os animais só deixarão de ser explorados, quando não restar mais nenhum.

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  4. Uma crueldade não justifica a outra , devemos dar um fim a todas elas! Além do mais o foie gras é nojento pois é um fígado doente e tomado por gordura , nem um pouco saudável .
    Nadja .

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  5. Marilene Caruso
    O vilão é o homem. Assassinar os animais, torturar, provocar a dor, sofrimento desde o primeiro dia de vida até o seu assassinato - até quando isso será visto como uma coisa normal? Para impedir essa boçalidade não é preciso esperar nada. Basta parar de ser conivente com essa produção de crueldade deixando primeiramente de consumir derivados animais. Dizer que é preciso "começar a discutir a indústria de alimentos como um todo" para tomar uma atitude em relação à estupidez humana com que trata os outros seres é típico de quem não está nem um pouco preocupado com tudo o que disse, mas, antes, está a justificar a sua própria boçalidade que alimenta a sua ganância. Não vai abrir mão do lucro do seu restaurante que serve, sim, tanto quanto os demais, um prato feito com muita dor para satisfazer o paladar da burguesia. Mude de ramo e abra uma restaurante vegano se está assim tão preocupado com os outros animais. Faça algo de útil no mundo. O hipócrita é assim: tergiversa para enganar os outros. O que ele quer é continuar lucrando no seu restaurante para a elite que pode pagar essa nojenta iguaria que é sim originada de um sofrimento pavoroso. A única verdade nisso tudo é que de fato no Brasil " o consumo da iguaria é ínfimo, restrito aos que têm alto poder aquisitivo", pois é ínfima a parcela da população que pode pagar o preço desse produto de origem perversa. O hipócrita não quer abrir mão do seu lucro vendendo esse produto que representa muita crueldade, tanto quanto triturar os pintinhos. E isso é inquestionável seja o consumo ínfimo ou grande.O método é perverso. Triturar pintinhos é perverso. É tão cruel quanto dizer que "proibir um item (o foie gras)tão pouco representativo na nossa estrutura alimentar, sob o pretexto de uma preocupação ambiental". Não se trata de preocupação ambiental, para início de conversa. Trata-se de compaixão. Só há uma saída: deixar de ser cúmplice e de ser hipócrita.

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