21/01/2016

Na crise, zoológicos transferem bichos. O do Rio continuará fechado

Para gerenciar um zoológico, não basta entender de números.... tem que ser amante da vida animal.  Aproveitando o assunto, o MP decidiu manter fechado o zoo do Rio até que seja garantido condições dignas aos animais. Confira: Zoológico do Rio permanece fechado, decidem Ibama e MPF . Agora, quem vai se arriscar a assumir se todos os parques privados estão numa pior? 
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Para quem compra em toneladas, como os zoológicos, a inflação dos alimentos virou custo pesado demais, capaz de suspender investimentos e inviabilizar o negócio.

A escalada da energia foi outra despesa que, ao longo do ano passado, empacou também o segmento de aquários voltados ao turismo, enquanto empreendedores registravam queda na visitação.

O drama que avança sobre instituições públicas, e que ganhou notoriedade com o caso do zoo do Rio, fechado pelo Ibama neste mês, também
preocupa parques privados. Para sobreviver, muitos apostam em lojas e restaurantes.

A falta de recursos para renovar instalações e manter os animais agora atinge parte de um setor que vinha atraindo a atenção de empreendedores donos de parques aquáticos, hotéis-fazenda e outros ramos do turismo rural.

"Nos últimos 12 anos houve um boom no interesse pela abertura de zoos privados. Recebíamos muitas consultas aqui na associação. Eram menos de dez e chegamos a 30 instituições privadas nesse período, mas hoje o momento é outro", afirma Claudio Maas, presidente da SZB (Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil).

A Folha ligou para 23 zoológicos ou aquários privados. Em 11, ninguém atendeu. Dos 12 restantes, 8 se queixaram de dificuldades financeiras.

Na Bahia, o Zoomarine Brasil, pequeno zoo que exibe bichos como focas, lobos-marinhos e aves, teve de reduzir sua coleção para economizar na comida e na medicação depois de o faturamento cair mais de 40%, em 2015.

"Chegamos a ter mais de 20 animais, mas reduzimos para 12. Emprestamos lobos-marinhos e lontras para instituições parceiras", diz Luciano Reis, diretor do Zoomarine, que vive da receita de ingressos e da loja de suvenir.

Maria Izabel Gomes, coordenadora de fauna do Ibama, diz que a transferência é uma medida responsável e que pode ser feita com apoio de autoridades ambientais locais.

Fundador do parque aquático Thermas do Vale, em São José dos Campos, o empresário Juan Gonzalez Perez decidiu fechar o zoológico que faz parte do empreendimento.

TRANSFERÊNCIA 
Ele aguarda a burocracia para transferir cerca de 70 animais, como jaguatiricas, macacos e araras, a um criador autorizado pelo Ibama.

"São muitos custos com pessoal, biólogos e veterinários. E o interesse do público no zoo já vinha baixo, mas a crise piorou", diz João Felipe Gonzalez, diretor do parque.

Sem capacidade de investir cerca de R$ 100 mil em um espaço para receber uma onça que estava sendo criada como animal doméstico em Altamira e foi resgatada por órgãos ambientais, um zoológico em Santarém teve de abrir mão da oportunidade, segundo Sidcley Matos, biólogo do zoológico da Faculdades Integradas do Tapajós, que recebe recursos da faculdade e empresas apoiadoras.

"Precisa ter um recinto ideal para tratar do animal. Temos renda para esses projetos, mas achamos melhor não receber neste momento. Os recursos se mantiveram, mas os custos subiram."

Para o empresário Ludwig Dewald Paraschin, dono da Fazenda Angolana, no interior de São Paulo, a ambição de se tornar um zoológico com espécies da fauna brasileira acabou diante dos custos impostos pela legislação.

"Essa crise vai machucando todo o mundo. Optamos por ficar com o parque de animais domesticáveis, como lhama e avestruz."

Para reduzir em 15% a conta de energia, Heitor Gonzalez, diretor do Acqua Mundo, no Guarujá, decidiu desligar o ar-condicionado e as bombas de filtragem durante 4 ou 5 horas diariamente e trocou o turno dos biólogos para que acompanhem o processo.

A medida foi tomada pela primeira vez em 20 anos que Gonzalez atua no setor e foi reproduzida em seus outros dois aquários, em Peruíbe (SP) e em Paranaguá (PR).

"Recentemente o movimento melhorou por causa da alta do dólar, que manteve o turista no Brasil. Mas 2015 foi barra. Tivemos queda de 14% no faturamento."

FILHOTE PROPAGANDA 
Instituições de maior porte, como o zoológico do parque Beto Carrero, dizem ainda prosperar. O Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, relata expansão das instalações.

"O zoo tem de trazer novidades para atrair público. O nascimento de filhotes de girafa e leão branco ajudou. Em 2016, vamos divulgar a festa de aniversário de um ano, com bolo de carne e atrações para as crianças", diz Katia Cassaro, bióloga do Beto Carrero. 

FONTE: folha.uol

3 comentários:

  1. Elizabeth Ribas21/01/2016 17:28

    Quem sabe seja o inicio da mudança que tanto ansiamos ! Realmente, gastos com comida , instalações, energia elétrica são altos. Talvez a crise tenha o lado bom , nesse sentido !! Deixem os Animais em seus habitats Naturais !!!!
    Vivam e deixem viver !!!

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  2. Se animais estivessem livres na floresta ninguém precisaria comprar comida, remédios e vacinas pra eles nem se preocupar em abrigá-los porque eles se viram melhor sozinhos sem humanos por perto e sabem viver e morrer por conta própria, sem ajuda também.

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  3. E ainda usam termo como "coleção" aos animais. Isso é doentio!

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