02/07/2015

Órfão de execução do tráfico, cachorro é adotado por policiais

Que sorte o bonitão teve, não? aliás, a polícia anda mandando bem, não?
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Chuck mostra os dentes ao rosnar, deita com as orelhas levantadas em sinal de alerta e fixa a câmera do fotógrafo pelo canto dos olhos.

— Ele pensa que é uma arma — anuncia o dono do pitbull de pelo marrom e branco, o inspetor de polícia Rodrigo Valença.


Para Valença, a reação do cachorro é justificada pelo trauma: Chuck convivia com o mundo do tráfico até ser adotado pelo agente, há quase dois meses. Órfão de uma execução motivada pelo
crime, o animal foi encontrado abandonado em uma casa no bairro Mathias Velho, em Canoas. Pesava 20 quilos — agora está com 34.

— Decidimos levá-lo para a delegacia e tratá-lo para depois ver se ficaríamos com ele ou se acharíamos um lar. Acabamos ficando — diz o inspetor.

O cachorro pertencia a Babiton Gabriel da Silva de Lopes que, aos 19 anos, tinha passagens pela polícia por tráfico e porte de drogas. Ele e o sobrinho Richard Kauan de Souza, de nove anos, foram executados dentro de casa no início de maio — crime possivelmente cometido em função de dívidas do tráfico, apontou a investigação.

Após os assassinatos, a Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD) de Canoas recebeu a denúncia anônima de que havia munição guardada na residência. No local, os policiais encontraram mais de 40 quilos em projéteis — e o cachorro amarrado a uma corda no pátio, sem água nem comida havia quatro dias e com as costelas à mostra, tamanha magreza.

Quando foi encontrado pelos policiais, o pitbull pesava 20 quilos
Foto: Polícia Civil / Divulgação

Pela comoção dos agentes, Chuck ganhou um novo lar: a delegacia de polícia. Chegou a ser anunciado para adoção, mas os agentes voltaram atrás. Apesar de pertencer à raça comumente associada ao comportamento violento, o pitbull aparenta temperamento dócil: pede carinho a quem se aproxima, se enrosca na perna do dono e obedece aos seus comandos. Falhas no pelo indicam, porém, cicatrizes do passado do cachorro. Familiares do homem executado, que afirmaram aos policiais que não tinham interesse em adotá-lo, disseram que ele era usado em "rinhas".

— Ao retirar o animal da residência, também evitamos um possível ataque a qualquer morador — aponta o chefe de investigação Luís Zottis, que também é dono de um pitbull e auxiliou no resgate do bicho.


Luís Zottis (à esquerda) e Rodrigo Valença brincam com Chuck na 7ª DP
Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Há duas semanas, a equipe da DHD foi transferida para a 7ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, no bairro Belém Novo — e Chuck seguiu junto para a Capital. Desde então, o lar do pitbull é o apartamento de Valença, no bairro Cidade Baixa, mas o inspetor já estuda se mudar para uma casa em função do novo inquilino.

— Agora, o Chuck terá uma aposentadoria tranquila. Ele já sofreu demais — diz.

Fonte: ZN Notícias

4 comentários:

  1. Jorge Romano02/07/2015 14:07

    E que Deus ampare todos os envolvidos, principalmente o Chuck.

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  2. Muito legal, Chuck agora passou para o lado da Lei e é protegido por ela. Parabéns aos policiais que o salvaram para promovê-lo a Mascote da justiça. Esse é o cara.

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  3. Mais um ótimo exemplo do trabalho de verdadeiros policiais. O cão saiu do meio do inferno, onde os tais "elementos vazados" foram disputar espaço com o capeta, indo direto ao encontro de anjos no paraíso.
    Isso sim, são homens de verdade, isso sim é que são policiais de confiança, pois quem tem respeito pela vida de um animal, tem respeito por todas. Orgulho de ter policiais de boa conduta em tempos tão difíceis.

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  4. Mais um ótimo exemplo do trabalho de verdadeiros policiais. O cão saiu do meio do inferno, onde os tais "elementos vazados" foram disputar espaço com o capeta, indo direto ao encontro de anjos no paraíso.
    Isso sim, são homens de verdade, isso sim é que são policiais de confiança, pois quem tem respeito pela vida de um animal, tem respeito por todas. Orgulho de ter policiais de boa conduta em tempos tão difíceis.

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