17/06/2014

Veterinário é processado por maus-tratos a cães usados em pesquisa na UFSM



Eu tinha até me esquecido do caso.... 2 anos de investigação.....
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Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
Cristiano Gomes usou 12 cachorros em pesquisa de doutorado na Federal

O veterinário Cristiano Gomes, que utilizou 12 cães como cobaias em um experimento de doutorando na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), está sendo processo criminalmente por maus-tratos contra os animais. 

Em maio, a Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal, que abriu inquérito após a publicação do caso pelo Diário, em maio de 2012, com exclusividade. O experimento resultou na mutilação de 12 cães e na morte de cinco deles. Gomes é acusado de ferir e mutilar os cães 12 vezes (número de animais), com a majorante (agravante) da morte de
cinco deles, e por conduta omissiva de abuso e maus-tratos 12 vezes (sete pelos sobreviventes e cinco pelos filhotes nascidos durante a pesquisa). 

O projeto de Gomes, à época doutorando da Pós-Graduação de Medicina Veterinária da UFSM, era criar e testar uma placa de titânio para recomposição de mandíbulas de cães que, devido a câncer, retirado parte ou toda a mandíbula. Doze cães cobaias saudáveis tiveram parte ou toda a mandíbula retirada para o teste das placas. Sete tiveram sequelas e cinco foram mortos por eutanásia.

À época, a maioria das pessoas ouvidas pelo Diário na época não questionava a importância da pesquisa, mas o uso de animais saudáveis, o abandono deles em condições precárias após o experimento e a eutanásia dos que ficaram com sequelas.

Com base na reportagem, o MPF instaurou inquérito e solicitou investigação à Polícia Federal, que ouviu depoimentos 12 testemunhas, o suspeito e o orientador dele, professor Ney Luis Pippi (leia abaixo). Professor e aluno negaram os maus-tratos e disseram que o experimento seguiu os procedimentos legais. 

Após dois anos de investigações, o delegado da PF, Valmir Soldati, indiciou Gomes pelo crime previsto no artigo 32 da lei 9.605 de 1998.

Réu terá de entregar defesa escrita à Justiça

O processo tramita na 3ª Vara Federal de Santa Maria. A Justiça tentou citar o veterinário, mas ele não foi localizado. Nova tentativa será feita em Curitibanos, cidade onde ele atuaria como professor. 

Na defesa escrita, que o réu deverá apresentar à Justiça, ele pode fazer alegações, oferecer documentos, justificativas, especificar provas e arrolar testemunhas. Só depois, o juiz pode absolvê-lo sumariamente ou dar andamento ao processo.

O orientador de Gomes, professor Ney Pippi, não foi investigado. Segundo o delegado Valmir Soldati, ele não tinha responsabilidade sobre o cuidado com os animais, somente sobre o trabalho científico do orientando.

Na sexta-feira passada, o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Rodrigo Lorenzoni, disse que o órgão aguardará o MPF enviar a denúncia para instaurar processo ético que apura se o veterinário agiu com imprudência, negligência ou imperícia

O que disseram
Cristiano Gomes, médico veterinário e réu do processo
Contatado pelo Diário na sexta, Gomes atendeu uma das quatro chamadas, mas quando informado sobre o teor da reportagem, a ligação caiu. Até ontem, não havia respondido ao e-mail que foi enviado nem dado retorno ao recado deixado com sua mulher

Ney Luis Pippi, orientador de Gomes
Procurado pelo Diário na sexta-feira, o professor disse que desconhecia a denúncia e que não iria se manifestar sobre o caso

A investigação
Trechos de depoimentos de testemunhas à Polícia Federal durante a investigação

Ney Luis Pippi, orientador de Gomes no experimento
Contou que acompanhou o experimento e que foram seguidos os procedimentos legais. Disse ainda que os animais foram medicados e alimentados adequadamente. Que a limpeza no canil era feita diariamente pela Sulclean. Pippi apresentou documento comprovando a aprovação do projeto

Marta Lisandra do Rego Real, integrante da Comissão de Ética em Experimentação Animal da UFSM
Afirmou que não esteve no canil, mas sabe que limpeza era diária. Que não considerava maus-tratos os procedimentos. Sobre as eutanásias, acredita que tenham sido comunicadas

Eliane Maria Zanchet, coordenadora da Comissão de Ética 
Informou que recebeu denúncia de três veterinárias sobre a situação irregular no cuidado pós-operatório dos animais

Liandra Cristina Portella, funcionária da UFSM
Disse que, ao avaliar um cão em aula, verificou que estava com prótese na mandíbula, que era destinado à eutanásia e era parte do experimento. Tomou conhecimento que outro animal, uma cadela, tinha dado cria durante a pesquisa

Camila Feltrin Giglio, médica veterinária
Informou que, em 1º de maio de 2012, um estagiário da pesquisa de Gomes pediu sua ajuda para tratar uma cadela com filhotes. Ela estava em situação precária, com fome e com a boca totalmente contaminada, com mau cheiro intenso. Ela os medicou e os internou no Hospital Universitário. Os estagiários disseram que Gomes havia mudado para Santa Catarina e abandonado o projeto, deixando seis cães aos cuidados dos estagiários. Havia apenas um pote, tanto para água quanto para comida

Rogério Maria, funcionário da Sulclean
Disse que sua função era limpar o local (sala) do canil, e não as gaiolas onde os cães estavam

Sérgio Luiz da Silva Rodrigues, ex-funcionário da Sulclean
Contou que trabalhou no Hospital Veterinário e lembra do experimento. Disse que depois das cirurgias (colocação das próteses), os animais iam para o canil. Que era ofertada ração endurecida, mas que eles não conseguiam movimentar as mandíbulas para comer. Os cães também não conseguiam tomar água e não havia material para a higienização. Disse que Gomes eventualmente aparecia. Que durante a noite não havia ninguém no local. Por quatro meses, nunca viu alguém aplicar medicação nos cães

A denúncia do Ministério público
Trechos do relatório da denúncia do Ministério Público à Justiça

"...não apresentou (Gomes) justificativa para que as instalações experimentais ocorressem em animais saudáveis." Além disso, "seria viável que o projeto se iniciasse apenas com um indivíduo e, acaso, bem sucedido, poderia ensejar amostras maiores."

"...o experimento resultou em ferimentos e lesões irreversíveis, o que configurou o delito de maus-tratos... as lesões acarretaram a morte por eutanásia de cinco dos animais."

"...após a instalação das referidas placas, os animais permaneceram trancafiados em gaiolas sem cuidado de higienização, expostos às próprias urina e fezes e sem acompanhamento clínico... sendo-lhes fornecida alimentação inadequada (ração seca), o que ensejou o surgimento de estado infeccioso na boca..."

FONTE: ZH

16 comentários:

  1. rosa elisa villanueva17/06/2014 10:08

    Jesus amado esse cara é um monstro. E está atuando em Santa Catarina, vamos procurá-lo e impedir que continue impune.

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  2. Fádua Andrade17/06/2014 10:23

    Que nojo tenho desse cara, se fosse algo que tivesse demanda, ele poderia ter buscado animais já doentes. Mesmo assim, esse infeliz se mostra um "profissional" de quinta categoria, ao deixar os bichos literalmente às moscas, sem o mínimo cuidado. Pena que a Universidade não foi condenada, pois poderia ter perdido direto a convênios por cinco anos, o que era muito justo, afinal é um caso de responsabilidade solidária. Devido a tal possibilidade, a universidade abafou o caso e saiu até nota na imprensa desmentido o fato. Esse desgraçado merece o pior castigo, merece perder a mandíbula, ficar trancafiado, com fome e no meio das próprias fezes!!!!

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  3. O Ministério Público vai investigar a responsabilidade da Comissão de Ética nessa "pesquisa"horrenda ?

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  4. "Na sexta-feira passada, o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Rodrigo Lorenzoni, disse que o órgão aguardará o MPF enviar a denúncia para instaurar processo ético que apura se o veterinário agiu com imprudência, negligência ou imperícia" ... estão esperando por quê? Enquanto está sendo investigado não deveria ter a licença suspensa?

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  5. Um monstro, um ser doentil, usar estes pobres para experimentos cruéis, oriundos de uma tentativa de se aparecer, quando notou que sua loucura era inviável porque não tinha competência para sanar o problema que ocasionou, largou suas vítimas a própria sorte como quem oculta as barbaridades de um campo de concentração. Não sei realmente o que o Conselho espera para tomar uma atitude e a entidade em que "leciona" não se manifesta? Como pode manter um louco irresponsável como "professor"? Absurdo!!!!!

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  6. Esta inútil da Marta Lisandra, não esteve lá, não viu nada , não sabe de nada, como pode considerar legal os procedimentos????? Morre infeliz INÚTIL !!!!! Essa sim deveriam ter arrancado a mandíbula pra parar de falar besteira!

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  7. Enquanto isso ele continua fazendo atrocidades com outros animais.

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  8. Quantos desses loucos existem por ai,e não ficamos sabendo.

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  9. Isso me lembra um monstro: Hitler!

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  10. Como um FDP desse consegue dormir sem peso na consciência??? Como ele consegue tirar a liberdade, a saúde e a vida de seres tão indefesos e inofensivos, como se tivesse mexendo com bonecos de plástico?
    Quando leio notícias como essa, imediatamente me coloco no lugar dos bichos e imagino o horror que eles devem ter sentido, e me pergunto: Porque isso ainda é permitido????? Sim, é permitido sim! Se fosse com humanos, a essa altura, a coisa já seria um escândalo, mas como aconteceu com cães, então a vida segue. Se dependesse do meu voto, esse desgraçado seria condenado à morte mas, infelizmente, esse tipo de pena não existe no Brasil. Porque não tem cadeia que conserte um FDP como ele.

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  11. Alguém tem contato em Curitibanos? Pobres animais indefesos... Quanta dor e sofrimento

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  12. Mais um fdp trabalhando normalmente, o MP é lento e omisso.

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  13. Deixar os animais sofrendo e sem assistência configura maus tratos e é muita crueldade usar em experimentação cadela grávida.A UFSM está dando um mau exemplo em permitir a experimentação em inocentes animais.Quanta covardia!!!

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  14. De Santa Maria? Se houvesse justiça divina, ele teria morrido no incêndio da boate Kiss.

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  15. Engraçado nem o Hitler fazia mal a um animal, antes pelo contrário o Hitler era contra os maus tratos aos animais e criou leis de protecção. Mas que se pode esperar de países latinos? Só lixo humano. Os países onde existem leis e os animais vivem com respeito são Alemanha, França, Itália, Suiça, Suécia e Noruega, enquanto que em países como Brasil, Portugal, México, Venezuela, etc o homem serve-se dos animais para se divertir e causar-lhes dor e sabem porquê? Porque não há respeito não há carácter, não há valores, nem regras, quem for a Alemanha um dia irá ver um povo que aceita de bom grado as leis, se lhes dizem apanhem os cócós dos cães, eles apanham e respeitam e assim os animais lá entram em todo o lado, inclusive autocarros enquanto que em países como Portugal e Brasil o quê? apanhar cócó? Deixa no chão pos outros apanhar, se um cão anda sem trela até pode ser um York chire, até berram e gritam com medo do bicho enfim..... Mentalidade tão triste, que povo tão triste.... No méxico, um cachorro tem carraça, mata-se e vai-se buscar outro. Sinceramente!!! E ainda falam dos terroristas?? Mais terroristas que isto não pode haver, o Bin laden é um santo ao pé destes terroristas.

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