21/04/2014

Mulher herda 26 cães após morte do filho e faz apelo para doar animais

A situação é dramática.....
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Foto: Arthur Menicucci/ G1

“Quando me perguntam se preciso de alguma coisa pra mim, eu digo não. Preciso de ajuda para os cachorros”, conta Benedita Rosa da Silva, de 82 anos. A aposentada convive, desde o dia 20 de março, com a dor da perda de um dos filhos e a dificuldade em tratar dos 26 cachorros herdados dele. Ela vive
no Jardim Santana, em Campinas (SP) e espera doar pelo menos 18 animais para conseguir manter os outros em casa.

“Se pudéssemos, ficaríamos com todos, mas não temos condições de arcar com os custos”, revela a mulher. Segundo Benedita, que mora com a nora, Zulmira Jesus de Moraes, só o gasto com ração chega a R$ 600 por mês, sem contar o valor em medicamentos, banho e tosa. Tanto ela quanto a nora são aposentadas e vivem com cerca de dois salários mínimos por mês, ou seja, cerca de R$ 1,5 mil. “Recebemos ajuda de pessoas maravilhosas enquanto não conseguimos doar os cães”, explica.

Benedita teve três filhos. O caçula, Gilberto Luis de Lima, era caçambeiro e tinha 53 anos quando teve um ataque cardíaco e morreu no Hospital das Clínicas da Unicamp. “Ele nasceu, casou e viveu morando em minha casa, nunca nos separamos”, lembra  a mãe.  Segundo a viúva de Gilberto, Zulmira, o marido acolhia cachorros com alguma enfermidade que encontrava na rua. Após reabilitá-los, ele doava ou ficava com os animais.



“Estamos todos de luto”
“A casa está vazia, estamos todos de luto, os cachorros também sentem falta”, ressalta Benedita. De acordo com a mãe, desde que o filho morreu, os cachorros passaram e procurá-lo e esperar por ele no portão. “Os vizinhos ficam até bravos porque quando dá hora de ele chegar, todos correm para frente e latem muito”.

“Eles sofrem junto”, lamenta. Benedita conta, ainda, que o passatempo do filho era deitar com os cachorros para assistir televisão. “Ficavam em volta dele na sala”.

Resgate dos animais
O primeiro resgate foi há 15 anos, quando ele os encontrou em uma caixa que seria jogada no aterro Delta A. “Ele dirigia caminhão até o Delta A todos os dias. Uma vez, viu três filhotes dentro de uma caixa e os trouxe para casa”, recorda Zulmira. Dois deles, Teco e Teca, continuam vivos e morando com elas.

A partir disso, Lima passou a retirar das ruas todos os cachorros que cruzavam seu caminho e estavam em situação de abandono. Segundo Zulmira, após alguns anos o marido ficou conhecido por resgatar os cães. “Tinha gente que sabia que ele pegava [os cães] e amarrava nas árvores que ficavam perto do caminho dele pro trabalho”, descreve a aposentada. Dessa forma, Gilberto acumulou 26 animais em casa, cada um com uma história de sofrimento e reabilitação.

“A resposta é sempre não”
Após a morte do filho, Benedita foi buscar ajuda para doar os animais ou conseguir mantimentos para alimentá-los. “Procuramos o Centro de Zoonoses e três ONGs de Campinas, a resposta é sempre não”.  São amigos de longa data que auxiliam com ração, verba e medicamentos para os cães.

De acordo com o diretor do Departamento de Proteção e Bem Estar Animal, Paulo Ancelmo Nunes Felipe, por conta da quantidade de animais, não há como buscar e alojar todos os de uma vez. "Vamos trazer cinco cães, cuidar, castrar e por para doação. Quando todos forem doados, pegaremos outra leva", explicou. Segundo ele, o trabalho começou há uma semana.

Uma das três filhas de Gilberto Lima, Vivian Cristina de Lima, 33 anos, mora em outro bairro, mas passa diariamente na casa da avó e da mãe para dar suporte. “Quando vimos meu pai na cama de hospital, aquilo foi um baque”, relatou a filha. “Ele que sempre ajudava quem precisava, estava sempre forte, foi muito difícil”, completa. Vivian confirmou que a Prefeitura buscou cinco animais.

Zulmira, mulher de Gilberto, com um dos cães que
não serão adoados. (Foto: Arthur Menicucci/ G1)

Ajuda inesperada
Além de Vivian, Benedita e Zulmira contam com ajuda de pessoas próximas e desconhecidas. João de Negri é um “amigo de longa data“, como Benedita gosta de ressaltar. Ele também passa com frequência para visitar, conversar e levar ração para os animais.

O ex-chefe de Lima é outro que ajuda com doações de ração, além de fazer cartões e cartazes para distribuição. “Ele tem demonstrado, por meio da presença e da ajuda, que gostava do meu filho”, explica Benedita.

A ajuda inesperada veio de Juliana Crude, que ficou sabendo da situação de Benedita por meio de uma vizinha delas. “Ela veio até aqui, disse que podia ajudar e levou alguns para uma feira de adoção no Cambuí. Sempre que pode, traz ração também”, disse Vivian.

Tetê, Dudu, Fredinho, Teco... e a Tetê.
“Cada cachorro tem uma história para contar, todos [o filho] resgatou e tratou”, lembra  Benedita, demonstrando orgulho de mãe. Dos 26 cães, 18 serão doados. O restante, por ser velho ou por estar apegado demais para que haja outra separação recente, irá ficar. Os nomes dos animais revelam, em sua maioria, o carinho com que foram acolhidos: Tetê, Dudu, Teca, Freinho e Teco, entre outros.


“Quando ele foi internado, disse que todos podiam ser doados, menos a Tetê”, revelou Zulmira. Tetê é uma vira-lata que perdeu a pata esquerda traseira após ser atropelada pelo próprio Gilberto. “Olha a ironia que foi isso, logo meu pai que salvava os animais”, brinca a filha .

De acordo com Benedita, foram momentos de apreensão. “Ele quase morreu junto com a cachorrinha. Só tranquilizou quando o veterinário disse que ia sobreviver”, relata. Tetê ficou dez dias internada até receber alta. Era o xodó de Gilberto.

Fred, que tem a pelagem parecida com labrador, foi levado pelo caçambeiro com um tiro na pata. “Quando limpamos o local, o pano atravessava a pata”, disse Benedita. Hoje, o cão está forte e anda normalmente.

Já Hulk, que é preto e solitário, permanece o dia inteiro embaixo de uma árvore no terreno em que mora. “Só meu pai relava e brincava com ele, agora ele prefere ficar sozinho ai o dia todo”, aponta  Vivian.


Dona Benedita convive com a dificuldade em tratar os 26 cachorros herdados (Foto: Arthur Menicucci/ G1)

Fonte: G1

8 comentários:

  1. fabiola ratton21/04/2014 12:11

    Eu fiz um seguro de vida para que minha irma possa cuidar dos meus bichos se eu bater as botas. Nao tenho tantos assim, sao dez, mas morro de medo de deixá-los desamparados.

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  2. que bela ação a sua fabiola, eu também tenho medo de morrer e deixar meu único cachorrinho, que é doente e feinho, ninguém vai querer ele.
    quanto aos 26 cachorros, dá tanta pena e cada dia a gente fica sabendo de mais covardias contra animais, principalmente cachorros. não sei o que esses canalhas tem na cabeça.

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  3. Esse é o grande medo de quem tem bicho! E se eu morrer...

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  4. Os baixinhos estão gordinhos e bem cuidados mas o que pesa é a saudade; esta não tem ração que cure.

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  5. alguém sabe onde encontrar esta senhora para adjudá-la??

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  6. Não sei pra que existe governo no Brasil; se não serve pra nada! E com certeza, esse moço está num bom lugar nesse momento.

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  7. Está certíssima Fabíola, eu também venho me preparando para que meus amados fiquem bem assistidos quando eu zarpar daqui. Também não tenho muitos (são treze), mesmo porque não daria conta financeiramente de sustentar mais bichos, sendo que muitas vezes me privo até mesmo do básico para que eles tenham qualidade de vida e dignidade.

    Essa querida senhora até gostaria de ficar com todos os ''netos'', mas não tem condição financeira para mantê-los... É execrável demais! Neste desgovernado e espoliado país onde o roubo do dinheiro público é escancarado na 'fuça' do contribuinte e cujo destino não é nada probo, uma assistência DIGNA aos bichos é utopia! Que essa corja cancerosa morra lenta e dolorosamente!!!

    A mais um triste quadro ante aos milhares, vem a recorrente e oportuna pergunta: - Cadê os tais 'divinos' e outros santos do pau oco para evitar que esses infortúnios aconteçam?!

    Que esses inocentes encontrem lares dignos e amorosos como esse onde estão.

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  8. Eu ternho 24 e mais seis recém-nascidos. Também me pergunto o que será deles se eu faltar... Não tenho parentes e apenas duas vizinhas gostam dos meus bichos, que por sinal, são escandalosos demais!!

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