21/03/2014

Morador de rua recusa proposta de R$ 2 mil por cão: 'Não vendo por nada'

Pois é.... quando vejo moradores de rua com seus cães me lembro de Lya Cavalcanti, uma das minhas grandes mestras. Ela dizia que nunca deveríamos mexer com cães de mendigos. Sempre tive minhas dúvidas porque trabalhei por um bom tempo como assistente social e sempre comprovei que a maioria os tem para defender seus pertences. Claro que acabam tendo uma afinidade, mas, já vi muitos que nunca se importavam com seus cães quando eram recolhidos pelo serviço social.... Briguei muito, na época, pelos animais que ficavam perdidos sem os seus donos.... A SUIPA era o destino deles. Ou era a SUIPA ou a carrocinha... Sei que faz tempo isto, mas, é preciso que as pessoas saibam que esta situação é antiga ..... 
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Luiz Fernando cuidou do cão  (Foto: Andrea Grosso
/ Arquivo Pessoal)
“Se ele morrer, eu morro também”. É com estas palavras e os olhos cheios de lágrimas que o morador de rua Luiz Fernando Gomes de Araujo fala sobre seu fiel companheiro de quatro patas, o cachorro Joe. A inseparável dupla vive em uma rua do bairro do Marapé, em Santos, no litoral de São Paulo, e chama a atenção de quem passa pelo local. Até propostas para vender o animal ele já recebeu, e recusou.

Sentado em um pedaço de papelão, Luiz Fernando escova com cuidado os pelos do animal esparramado em seu colo. A cena se repete há alguns meses em uma esquina da Rua Dom Duarte Leopoldo e Silva, onde dono e animal improvisaram um lar. Mas, o
encontro dos dois, aconteceu um pouco mais longe. “Eu achei o Joe no cais do porto. Estava passando um tempo lá. Isso tem nove meses”, lembra o morador.

De acordo com ele, o cãozinho tinha dona antes de ser abandonado. Quando foi encontrado, Joe estava doente e cheio de carrapatos. “O pessoal daquela região contou que ele morava em um apartamento e que a dona não podia mais ficar com ele. Como não achou quem adotasse, soltou o bichinho lá e eu achei. Ele não tinha um pedaço da orelha e estava com carrapatos, mas eu tratei ele”, comemora.

O morador dá de tudo para o bichinho: de comida a tratamento VIP no veterinário. “Levo para passear de coleira, dou banho no chuveirinho da praia. Ele tem o sabonete dele. Tinha pasta e escova de dente também, mas roubaram. E vai ao veterinário quando precisa”, explica, comentando que o cachorro é atendido gratuitamente por uma clínica do bairro. E os mimos continuam quando é hora de comer. “Ele tem a ração dele, mas prefere arroz com carne na hora do almoço. É metido”, brinca.
O animal carrega saquinhos de sal presos na coleira: um na frente, outro na parte de trás. “É para proteger e espantar o mau olhado”, afirma o dono, que já recebeu até propostas para vender o animal. “Um rapaz me ofereceu R$ 2 mil e eu recusei. Depois, uma mulher perguntou se eu queria um valor maior, que ela pagava. Não vendo esse cachorro por nada, ele é a minha família”, conta. “Onde ele for eu vou, porque é ele quem me puxa”.

Joe carrega sal para espantar o mau olhado  (Foto:
Andrea Grosso / Arquivo Pessoal)
Vida na rua
Apesar da linda amizade, a vida está longe de ser simples para essa dupla. No bairro, Luiz Fernando é conhecido como João de Barro por alguns moradores, por guardar seus poucos pertences no topo de uma árvore. “Preciso fazer isso para que não levem o pouco que tenho”, explica o morador, que teve uma bicicleta roubada recentemente. O veículo foi dado de presente pelos moradores e comerciantes do bairro, onde ele realiza serviços em troca de comida.

Luiz Fernando não usa drogas, não bebe e não tem passagens pela polícia. A rua o acolheu quando ele perdeu a mãe e, anos depois, a tia. “Tenho um filho, mas pouco contato com ele. A mãe dele também morreu, contraiu AIDS de um homem que conheceu quando me deixou”, relata.
A história do morador de rua vem comovendo a todos que vivem na região. Para melhorar a qualidade de vida da dupla, eles procuram alguém que se disponha a empregar o rapaz e dar moradia para ele e seu companheiro. A ideia lhe parece animadora. “Tudo o que eu mais quero é ter um teto só nosso. Aí não vou precisar acordar preocupado com ele (o cão) e com as minhas coisas”, finaliza Luiz Fernando.

Amizade entre Luiz Fernando e seu cão já ficou conhecida em Santos (Foto: Andrea Grosso / Arquivo Pessoal)
Fonte: G1

13 comentários:

  1. rosa elisa villanueva21/03/2014 11:52

    Linda história. Os dois somente precisam de uma chance. Boa sorte para eles.

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  2. fabiola ratton21/03/2014 12:18

    Aqui em Curitiba recentemente tivemos um caso que ganhou bastante repercussão. O carrinheiro Bocão fez muitas amizades devido ao amor e cuidado que tinha com seu cachorro Polaco. Infelizmente o Bocão foi assassinado em um assalto, o que fez seus amigos de rua e os protetores se unirem para decidir o destino do cão e ajudar o Bocão durante seu longo internamento e depois para que fosse enterrado com dignidade.
    http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1446867

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  3. Lindo de se ver e saber que ainda existem pessoas que, mesmo nada tendo,amam o seu animalzinho e o protegem. Sheila tem razão: nem todo morador de rua que tem cães cuida deles de maneira correta e com amor.Felizmente,porém,há os que têm bondade explícita.

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  4. GRAÇAS A DEUS EU NAO MORO NA RUA MAS TENHO UMA CEDELA QUE AMO DE MONTAO ELA É MINHA VIDA, JA ESTA COM 10 ANOS E ESSE ANO FAZ 11 MORRO DE MEDO DELA MORRER MAS ESPERO QUE ESSES DOIS TENHA MUITOS ANOS DE VIDA E SEJAM FELIZES COMO EU SOU COM MINHA FEFE!

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  5. Esse é o Homem com H maiúsculo e merece toda nossa consideração e respeito

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  6. Cada história é cada história. Existem pessoas que estão na rua por circunstâncias diversas, mas a rua é cruel. espero que esse rapaz encontre um teto. Muitos deles cuidam dos animais e os amam, mas na maioria dos casos os cães são usados pra guardar os pertences e trocados por dinheiro e drogas. Uma amiga comprou um por R$ 50,00. Graças a Deus, pois o animal estava com problema renal e uma mordida no pescoço que precisava de tratamento.

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  7. Hoje ele participou do programa Hoje em Dia, teve uma pauta sobre animais. E fizeram um apelo para alguém que pudesse oferecer emprego para o Luiz Fernando, com moradia e aceitando o cão. Quase no final do programa a Chris Flores anunciou que um senhor de Itanhaém ligou e ofereceu o emprego de caseiro com moradia e aceitava o cão! Ou seja, ele já saiu de lá com emprego garantido, ficou muito feliz! Todos ficaram!

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  8. Liliane Rossi Farcas21/03/2014 21:29

    Hoje pela manhã assisti um programa na Record ( Edu Guedes e outros apresentadores) este Sr. lá estava sendo entrevistado e fizeram um apelo no ar , quem teria um lugrar para ele morar junto com seu cão, chácara, sítio, trabalhar e morar.
    Desejo que eles consigam uma moradia digna e seja muito Felizes.

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    1. Liliane, ele foi convidado por um telespectador pra trabalhar como caseiro em uma chacará, com um salário minimo, moradia e com o Joe, que também vai ganhar uma casinha só pra ele.
      Maria Vitória Magri.

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    2. Liliane R. Farcas23/03/2014 09:09

      Bom Dia a vc Maria Vitória.

      Não podia ser melhor notícia que essa , fico muito feliz por essa oportunidade a eles.
      Obrigada por responder me

      Abraços
      Liliane

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  9. é verdade, fabíola: tou morando em curitiba e sei da história do morador de rua q foi morto e do cão q está sendo cuidado por uma família e tb pelos carroceiros amigos do falecido dono. vi o cachorro na pça santos andrade, sendo mto bem tratado e parecendo bem feliz. em curitiba, todo carroceiro tem cachorro e todos parecem ter um afeto genuíno pelos animais. não sou veterinária, mas os cães parecem bem saudáveis e são mto fiéis.

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  10. Quando leio matérias assim fico pensando... a mulher que abandonou o cãozinho tinha moradia, quem o resgatou mora na rua. O ser humano é muito estranho mesmo. Espero que o Luiz Fernando e o Joe tenham mais sorte na vida e que um boa alma o ajude a encontrar um lugar para morar.

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  11. Tem gente boa em todo lugar, morando na rua ou não, ah, e gente ruim também.

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