14/02/2014

Desculpa furada não ajuda os animais - Sônia T. Felipe

Publicando mais um artigo para reflexão dos nosso leitores... muuuito bom!!!!!
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Desculpa furada não ajuda os animais 

A veganofobia corre solta, junto a muitos onívoros, ovo-galacto-carnistas e mesmo a galactômanos não-carnistas. 

Há pessoas que dizem não deixar de comer carnes e laticínios porque os veganos são chatos e elas não querem ser identificadas como chatas assim. Essas pessoas encontraram apenas uma desculpa bem furada para continuar sua dieta macabra. Furada por quê? Porque, simples assim, os veganos não se tornaram veganos por conta da gentileza dos humanos para com eles ou para com os animais. Foi o contrário. Foi pelo fato de
constatarem que a gentileza dos humanos é hipócrita quando se trata da forma pela qual os animais são considerados.

Gentileza não gera gentileza? Pois então! Sabendo que quando não somos gentis não temos o direito de esperar ser tratados com gentileza, e usando a coerência que tanto veganofóbico odeia, nós, veganas e veganos chatos ou agradáveis ao palato ovo-galacto-carnista concluímos que, para merecer ser bem tratados, primeiro precisávamos abolir de nossa biografia a carga de maus-tratos que causávamos a todos os animais. Então nos tornamos veganos, por conta disto: do sofrimento e tormento que causávamos aos animais criados e mortos para nosso consumo. 

Os veganos não tiraram a carne do prato porque encontraram anjinhos soprando suavemente em seus ouvidos que os animais são torturados e mortos para que se tenha um bife ou uma fatia de queijo. Nenhum vegano decidiu ser vegano porque alguém veio lhe fazer um carinho. Sinto muito. 

Acho que todos os veganos levaram foi mesmo um grande tabefe no dia em que viram o primeiro filme de um abate e de um centro de maus-tratos às vacas das quais o leite é extraído, ou, quando ainda não existiam esses filmes, como é o meu caso que já estou na terceira idade, leram o primeiro livro que descrevia o que os animais sofrem. Um tabefão. Daqueles que fazem a gente se recolher e ficar passando a mão na marca, para aliviar a inflamação e ao mesmo tempo manter a memória, não permitir que ela se esvaia em meio a tantas sensações palativas e gustativas que a ingestão de alimentos animalizados propicia. 

A gente não quer esquecer que o prazer de uma fatia de torta requintada, de um creme de leite colocado no cacau, do leite usado na vitamina, do queijo, do churrasco e similares, custou ao animal não apenas a vida, mas muita inflamação e infecção antes de ser mandado para a câmara de sangria. A gente não quer esquecer que gosta de ser tratado com carinho. 

Mas também não queremos esquecer que os animais não gostam de ser tratados com brutalidade. Somos coerentes, algo que os veganofóbicos agora usam para nos acusar e nos apontar como pessoas desagradáveis. Coerência tem seu custo. É verdade. Ser ético não é buscar prazer para si, é evitar causar sofrimento e tormento para o outro. Custa muito. E a gente só é desagradável àqueles que esperam que nosso palato seja similar ao seu. Sorry! Nosso palato é outro. Não nos apetece mais o que antes nos apetecia e ainda apetece a toda gente. Tem gosto ruim. De sangue e pus.

O mundo dos animais usados para comida humana é um inferno. Os veganos já visitaram esse inferno. Quase todos estão lá todos os dias para ver como fazer algo para abolir tudo isso. Não esperem sorrisinhos e bom humor condescendente. A dureza da realidade precisa ser mostrada, senão fica todo mundo com o coração amolecido por conta da girafa esquartejada para servir de comida ao leão e se esquece que a comida do almoço é o esquartejamento de porcos, vacas e galinhas, para não falar de peixes, pois esses não são cortados em "quartos", não são esquartejados. 

Enfim, a dureza dos veganos se deve ao fato de que eles mostram a moleza ou viscosidade da moralidade vigente. Isso aborrece a quem vive dos prazeres que a carne e os laticínios propiciam, aliás, por serem carregados de opioides, de efeito morfínico, como o são esses derivados da caseína, presente no leite e em todos os alimentos feitos com ele, razão pela qual a maioria dos galactômanos afirma não ser capaz de "deixar o meu queijinho". Vício.

Somos tão molengas para suportar umas palavrinhas duras ou as imagens da crueldade contra os animais, não é mesmo? Mas somos bem fortes para ver os animais sofrendo e achar que só devemos parar com isso se formos seduzidos gentilmente para tirar do prato, do guarda-roupa, do banheiro, do espetáculo, os restos mortais deles, ou seus corpos violentados e mantidos ativos para locupletar a massa. Ah! Tenha paciência!

11 comentários:

  1. Quero beijar as mãos? não!, quero beijar os pés dessa senhora. I LOVE YOU, SÔNIA!

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  2. Conceição14/02/2014 16:17

    Nossa, que texto maravilhoso.
    Valeuuuuuuuuuuuuuuuu Dra Sônia T Felipe.

    Quem sabe constrói e quem pensa que sabe escreve "manifesto anti-veganista"

    Conceição
    Ativista vegana com muito orgulho.
    .

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  3. Jorge Romano14/02/2014 16:58

    Isso aí, não faltou dizer nada. Abolir alimentação animal é uma evolução do ser humano. E se veganos são chatos(!?), ainda assim seria uma condição melhor do que ser idiota e consumir produtos comprovadamente nocivos a saude. Com as divulgações feitas na internet, só não tem conhecimento do sofrimento animal quem realmente não quer ter, prefere fechar os olhos porque não consegue ver.

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  4. Sábias palavras! Parabéns Sônia.

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  5. E eu ratifico suas palavras,mas com menos piedade para a humanidade,na sua maioria, é claro.

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  6. Sonia, acho que muita gente queira falar isso e não conseguia as palavras certas... É isso.

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  7. O problema não é ser incoerente, é ser insensível e fingir que se importa com a matança.
    Sônia descreve perfeitamente o que leva muitas pessoas a serem vegans, a compaixão!
    Se algumas pessoas têm no estômago e paladar seu motivo de vida, só lamento pelos animais.
    Célia

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  8. Drª Sonia foi brilhante e também afirmo meu orgulho de ser rotulada como vegan, gosto do título, pois expõe a minha sensibilidade, a mesma que gostaria de ver na raça humana.
    Este é o único rótulo que abraço orgulhosamente, graças a Deus!
    Claudete

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  9. Melhor ser chato do que incentivar ou arrumar desculpas esfarrapadas para quem gosta de encher a pança com os cadáveres dos animais tão insultados por nossa espécie.
    Prefiro ser dura com humanos insensíveis do que ser insensível ao aosfrimento dos inocentes.
    Vera Regina

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  10. A Sônia foi no cerne da questão, doa a quem doer, deixou bem claro o ativismo forte e incondicional pelos bichos, as piores vítimas da crueldade humana, e que se danem os do 'mi-mi-mi'! Dá-lhes Sônia!

    Obs:, seria engraçado se não fosse ridículo ver vira-casaca (e que ainda posa de ativista!) apoiando o que um pouco antes estava ajudando a atacar...

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  11. Concordo com a Sellen, nada justifica um conhecedor profundo da situação de miséria em que vivem os animais, posar de ativista e incentivar a crueldade com animais, por isso, sou mais os veganos que devem fazer muito mais do que teorizar e usar as mãos pra tocar viola.
    Dá-lhe Sônia!
    Tania Regina

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