02/09/2013

Certificação de bem-estar chega ao animal criado para trabalho e esporte

Então, tá!!!!!
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O certificado Sela Verde atesta que a propriedade segue corretamente critérios trabalhistas, ambientais e de bem-estar dos cavalos.

Práticas de bem-estar são uma exigência cada vez mais frequente no mercado de animais criados para o abate. Existem, inclusive, selos de certificação para esses produtos. Agora a certificação começa a chegar ao mercado dos animais criados para o trabalho e para o esporte, como o cavalo.

No haras visitado pela reportagem, os cavalos são criados soltos e, mesmo quando vêm para as baias, todos compartilham  bem o lugar. O que a primeira vista pode parecer simples demais para um haras, na realidade, é o
reflexo do cumprimento das 83 normas de um certificado para fazendas de criação de cavalos.

As normas foram baseadas na metodologia da Rede de Agricultura Sustentável do Selo Internacional Rainforest Alliance. E definido por um grupo de veterinários, biólogos e agrônomos do Instituto Biotrópicos. Ganhou o nome de Sela Verde.

Para conseguir a certificação, é preciso seguir critérios em três áreas: trabalhista, ambiental e bem-estar animal. Na primeira, estão incluídas as condições de trabalho dos empregados. Todos precisam ter carteira assinada. E as convenções da Organização Internacional do Trabalho - OIT - devem ser respeitadas, como proibição de trabalho infantil e a garantia de pagamento de salário-mínimo.
                                              
As propriedades têm que estar em dia com a legislação ambiental. Isolar as nascentes, separando o que é pasto e o que é mata nativa, é uma das formas de adequação. “A gente pede que as áreas sejam cercadas para que os animais não impactem a área nativa, principalmente próximas a cursos d’água, porque a gente quer garantir que a água que nasce dentro da fazenda  saia com a mesma qualidade que ela nasce”, explica o biólogo Rafael Freitas.

Certificação no Brasil
O primeiro haras certificado no Brasil fica em Amparo, São Paulo. A sede, restaurada, é da época em que a principal atividade era o café, que o proprietário atual ainda mantém em pequena escala.

Mas agora o foco está na criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador. Cavalos criados para todo o tipo de atividade: passeio, trabalhos no sítio ou fazenda e para competições.

Na pista de treinamento, o tratador Marcio Almeida faz uma apresentação com um meio sangue lusitano que já venceu provas de enduro. São  habilidades como passar só com as patas traseiras por dentro das barras, fazer a curva e dar a chance para que o cavaleiro alcance as argolas, sem derrubar nada. O que mostra que cavalo submetido às normas de bem estar  pode ser um campeão. “Tem que conquistar o cavalo com o tempo. Você tem que dar uma continuidade ao trabalho pra colher um fruto legal la na frente”, afirma Marcio.

A certificação prevê critérios para a doma dos animais. De maneira alguma, é permitido o uso de violência. Nada de gritos ou castigo para o cavalo que não quer obedecer. É bom lembrar que é comum ver por aí cavalos domados pela imposição do medo e do uso de técnicas violentas. Além do jeito certo de lidar, existe a hora para começar a doma.

De acordo com a certificação, do desmame até os dois anos, o animal não pode ser submetido a nenhum tipo de treinamento. A montaria, só depois dos três anos. Meses antes de completar essa idade, o treinador já pode começar uma iniciação básica. Esse é o tratamento que o treinador Ernani Romano está fazendo com um dos cavalos, o Flash: “Eu gosto de fazer tudo muito calmo, muito racional. Para o bicho ter a noção que aquilo não vai ser ruim pra ele”.

E se ele for muito arisco? “A doma racional é muito boa de fazer porque a gente vai vendo que cada cavalo é um cavalo. E alguns são mais complicados, mas a racionalidade ajuda muito pra trabalhar tanto para o muito manso como para o mais complicadinho”, continua o treinador.

A certificação define critérios também para as instalações. As baias devem ser arejadas. No haras visitado, além da abertura da frente, existem janelas internas para os cavalos se comunicarem. "O cavalo tendo um companheiro ali, um amigo do lado, sempre fica mais calmo. A gente ouve falar que garanhão com garanhão não pode porque eles brigam. Não tem isso”, diz Ernani.

A cama das baias tem que ser farta e limpa. “O principal das baias é uma cama confortável e limpa. As camas que não são bem limpas podem gerar um nível de inflamação nas via aéreas superiores que dificultam muito a respiração de um cavalo”, explica o veterinário Rodrigo Sarkis, um dos idealizadores das normas de certificação. “Em alguns casos você tem um acúmulo muito grande de urina e fezes. E urina produz amônia e, dependendo da sensibilidade individual, pode gerar um tio de inflamação.

O selo determina que a propriedade tenha um plano de vacinação e vermifugação. O administrador da fazenda Marcos dos Santos faz o controle do calendário no computador. “A gente tem o pessoal que vai ao campo todos os dias e verifica uma, duas vezes por dia, pra ver se não tem nenhum machucado, se está com carrapato” diz Marcos.

A certificação tem um capítulo a parte quando o assunto é reprodução. A inseminação artificial é permitida, mas a monta natural é a mais aconselhada. A transferência de embriões é que tem um limite. "A doadora só pode ter no máximo três embriões confirmados por ano, para diminuir o excesso de manipulação da fêmea e para ela possa ter também uma qualidade de vida digna. Se você diminuir o estresse desses acasalamentos, a fêmea vai ser menos manipulada e a possibilidade de infecções diminui muito também”, lembra o veterinário Rodrigo.

A égua só poderá ser coberta ou inseminada a partir dos 36 meses. E aí vem um critério considerado crítico: ao contrário do que é comum, é proibida a participação de éguas prenhas em qualquer tipo de competição.

Outro ponto fundamental do manejo de bem estar é o desmame, que precisa ser feito de forma gradual, a partir dos cinco meses de idade – e não de maneira brusca.

“A desmama feita de modo abrupto gera um estresse muito grande pro potrinho. Dependendo da forma como é feita e o tempo que ele fica estressado pode prejudicar muito o seu desenvolvimento. Quando o desmame é gradual, você retira gradualmente a fêmea do convívio com o grupo onde aquele potrinho está inserido. E ele fica então mais ligado ao seu grupo de amigos jovens e menos ligado a sua mãe”, explica o veterinário.

No piquete dos machos, nenhum castrado, a quebra de um mito: que garanhões não podem ficar juntos porque brigam. Os cavalos têm um jeitão mais selvagem porque recomenda-se que as crinas e os rabos não sejam cortados. Devem, no máximo, ser aparados.

E uma determinação: é proibido o uso de artifícios para melhorar a musculatura ou de qualquer substância que altere a performance natural do cavalo, o chamado doping.

“Na veradade, esse tipo de intervenção interfere na seleção zootécnica, pode mascarar a realidade. Nem sempre o campeão é o melhor cavalo. Ele pode ter sido artificialmente preparados”, explica o veterinário. 

Os custos para ter o selo, só com auditorias e pré-certificação, chegam a R$ 10 mil com validade por três anos. O presidente do Instituto Biotrópicos, Joaquim de Araújo, explica que a idéia é que a certificação não fique restrita aos grandes criadores. “Uma prioridade é investir na certificação em grupo, congregando criadores de uma mesma região, onde os custos são compartilhados”, afirma Joaquim.

2 comentários:

  1. Só falaram no cavalos de raça. E como ficam os pangarés? Eles também são filhos de Deus!

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  2. Ana Lucia Nunes04/09/2013 21:21

    Revoltante !!! Pangaré e vira-lata não são considerados seres.
    Para eles só os de raça merecem ser cuidados.

    ResponderExcluir

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