17/08/2013

Aprendendo no debate da exploração de cavalos em charretes

Gosto de apresentar as questões sob todos os ângulos de vista para que as pessoas possam opinar e ficarem certas do que pensam. Existem visões das questões que, aparentemente, se contradizem, mas, no meu ponto de vista o que falta é ajuste. Ambas visões são honestas: uma projeta o futuro e outra protege o presente  e estão voltadas para o bem do animal. Deixo ao debate a matéria da Band e as palavras da Ana Cristina (ONG AnimaVida), pessoa que eu conheço há muitos anos e que respeito como uma defensora do presente.
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Abrigo de cavalos em Petrópolis continua fechado


Band Rio - 16/08/13
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----- Original Message -----
From: Ana Cristina
To: FALA BICHO ; Sheila Moura 
Sent: Friday, August 16, 2013 4:02 PM
Subject: Cavalos de Petrópolis

Oi, Sheila. Tudo bem?
Tenho acompanhado suas publicações e comentários e sempre divulgo diversas delas entre as pessoas do meu contato. Parabéns pelo trabalho informativo.

Entretanto, discordo de você quanto aos comentários sobre as charretes, que
são reconhecidas pelo município como atividade turística e que  possuem uma legislação própria. Existem, sim, maus elementos dentro desse grupo de charreteiros, como acontece em qualquer outra atividade profissional. Conheço de perto a situação e acompanho essa realidade há 13 anos. Infelizmente, um grupo de radicais da proteção animal na cidade, que não conseguem ir além do Facebook em seu trabalho de proteção, vêm fazendo um terrorismo que, com certeza, prejudica muito os próprios animais.

Conhecemos o cenário dos cavalos na cidade melhor do que qualquer outra pessoa. Já denunciamos diversos proprietários de cavalos, charreteiros e não charreteiros. Por isso nos sentimos com moral suficiente para rebater todo e qualquer comentário que siga pela generalização de acusações. Detalhe: aqueles que divulgam informações truncadas, com o objetivo de confundir a sociedade, NUNCA denunciaram formalmente nada. Não conseguem sair de sua área de conforto que fica, exatamente, atrás de um computador.

O fim da atividade das charretes, repito a única regularizada na cidade, vai provocar a venda dos animais e, consequentemente, a transferência deles para as atividades ilegais e que estamos combatendo há anos junto com o Ministério Público.  Enquanto estão nas charretes, com jornada e carga estabelecidas, identificação  individual, acompanhamento médico veterinário trimestral, temos como ajudá-los. Se caírem no "não oficial" não conseguiremos fazer mais nada por eles.

Outro detalhe importante: não há cavalo de charrete solto em via pública. Depois da microchipagem e do registro junto à prefeitura (iniciativa nossa e abraçada pela prefeitura em 2008), nenhum charreteiro se arrisca a deixar seus animais soltos. Ainda existem, sim, abrigos que estão em más condições e é sobre isso, também, que estamos trabalhando juntamente com a Defensoria Pública que moveu uma Ação Civil Pública contra o município pela fiscalização deficiente sobre a atividade das charretes. Em resumo: quando conhecemos todos os atores, apontar culpados e cobrar punições fica bem mais fácil.

Achei que cabia dar um esclarecimento a você sobre o que vem ocorrendo por aqui.

Abraço,
Ana Cristina
AnimaVida

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----- Original Message -----
From: Fala Bicho
To: Ana Cristina
Sent: Friday, August 16, 2013 4:57 PM
Subject: Re: Cavalos de Petrópolis

oi criatura, saudades!!!!
sempre que publico negócio de cavalo daí, lembro de vc. Achei sua explicação muito boa. Posso publicar como está?
O que acho que acontece é muito simples, apesar de complicado: um segmento é contra a exploração animal em qualquer situação e tem sido a tendência da maioria da proteção animal. Apesar de ser reconhecido como atividade turística, me parece imoral explorar animais, entende? mas, compreendo o "seu pé no chão" e não sei se agiria diferente do que faz.... Como eu disse: é simples, apesar de complicado....
bjs queridona

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----- Original Message ----- 
From: Ana Cristina 
To: Fala Bicho 
Sent: Friday, August 16, 2013 6:39 PM
Subject: Re: Cavalos de Petrópolis

Oi, Menina. Há quanto tempo, não é?

Hoje, ainda NÃO temos como encaminhar, de maneira segura, os cavalos eventualmente retirados de atividades de tração. Sendo assim, é melhor que permaneçam em uma atividade controlada e  monitorada pela sociedade civil.

A própria lei usada por nós para apresentar denúncias de maus tratos, coloca a tração feita por cavalos e bois como normal. Decreto 24.645, de 1934, art. 4:

"Só é permitida a tração animal de veículo ou instrumentos agrícolas e industriais, por animais das espécies equina, bovina, muar e asina";

Ou seja, legalmente, o trabalho do cavalo não é considerado maltrato. O que precisamos controlar são os abusos de tempo de trabalho, carga, falta de atendimento veterinário etc.

Ao mesmo tempo, nosso Código Civil apresenta o animal como um BEM SEMOVENTE, passível de ser negociado a qualquer momento por seu proprietário. Então, minha querida, o fim da atividade será o fim do "emprego com carteira assinada" dos cavalos. Vão entrar no  "mercado informal" que, cá entre nós, é muito, mas muito cruel.

Ia esquecendo, fique à vontade para publicar meu comentário, acrescentando, inclusive, as informações acima.

Beijo,
Ana Cristina

8 comentários:

  1. Bom saber dessas nuances sobre charretes em Petrópolis.
    Mas um dia esse tipo de transporte há de acabar.
    Silvan

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  2. Nada justifica. Pelo contrário, falácias bem-estaristas giram em círculos viciosos. Na matéria mesmo já se mostrou que não adiantou estar chipado que maltratam mesmo, não adiantou TAC de 3 anos atrás que continua na mesma. Na assembléia que teve na Câmara foi levantado que até ong de "proteção animal" lucra com a manutenção das charretes. Chega de politicagem! Escravidão não se fiscaliza! A bandeira que temos q levantar é a de SOLUÇÕES TRANSFORMADORAS! Exigir soluções e não manutenções. PS: Uma das pessoas que vi na reportagem que participa do protesto pela abolição deses cavalos explorados em charretes (pq TODOS são escravizados, independente se estão com chip, regulamentados ou não), é a fundadora de um santuário que não apenas denuncia como resgata e mantém abrigado com os próprios recursos cavalos abandonados na cidade de Petrópolis, o Santuário das Fadas. Isso vai contra a informação passada pela Ana Cristina de que o movimento é constituído por pessoas que só agem no facebook, numa tentativa de deslegitimar quem pensa de forma abolicionista. Ele é constituído inclusive por pessoas que lutam a anos denunciando charretes de outras cidades tmb. ESCRAVIDÃO NÃO É TRADIÇÃO.

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  3. "...transferência deles para as atividades ilegais e que estamos combatendo há anos junto com o Ministério Público."
    Fiquei curioso para saber que ATIVIDADES ILEGAIS que D.Ana Cristina diz que estão combatendo há anos no MP.Poderia citar em que ano entraram no MP e quais são tais atividades ilegais? Se estão combatendo há anos junto ao MP, só tenho a lamentar pelos animais, pois nada ou pouco adiantou.
    O cenário é caótico e os animais são sempre as vítimas da inércia, incompetência e/ou omissão do poder público. Mexeram os bumbuns em seus gabinetes, por conta da mídia e da força das redes sociais que se articulam além da telinha do computador.
    Será que os RADICAIS estão querendo confundir a sociedade OU trazer à tona a verdadeira condição dos cavalos explorados?!
    A questão da tração animal não se restringe apenas ao tema de maus tratos físicos cometidos.
    O que pode ser classificado ou categorizado com maus tratos?Os castigos físicos,privação de alimento ou um abrigo miserável?! Claro que não!
    Estamos cientes de que uma "radiografia", ou um estudo profundo e detalhado SOBRE e SOB este cenário da exploração de animais em tração(os bodinhos também), irá revelar muito além do que tem sido debatido e colocado em relação ao problema.O que tem aparecido é apenas a superfície.

    Um veterinário especialista em equinos, caso fosse avaliar os vários itens imprescindíveis e fundamentais à manutenção e garantia do bem estar dos cavalos em todos os seus aspectos, teria que inviabilizar e impedir a permanência desta atividade. Tal avaliação técnica, minuciosa e meticulosa NUNCA será realizada pela PREFEITURA e nem haverá este interesse em parte alguma onde há o serviço de charretes.Caso contrário, a sua existência seria abolida.A média de vida destes animais escravizados é diminuída,há sequelas como: deformações ósseas e articulares, dores na coluna, gastrite em consequência do stress e de uma alimentação forçosamente adaptada,deficiência nutricional,estafa muscular,ferrageamento inadequado,lâminite, problemas odontológicos, e a lista seria grande em inúmeros quesitos que causam grande desconforto e sofrimento em graduação variada.Elementos estes, que somente corroboram e fortalecem a verdadeira indignidade existencial destes animais.Repetir este textinho de que não há outra forma ou caminho, é condená-los eternamente a esta vida miserável. Nunca pensou em procurar outra forma de lutar por eles? Se fosse a senhora a estar atrelada a uma charrete, certamente procuraria uma outra estratégia mais eficiente,libertadora e justa.Estes animais já deram muito da sua energia de vida para um turismo inconsciente e perverso.ACORDA!Estamos no sec XXI em Petrópolis!

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  4. Estou contigo, anônimo! Sou contra todo e qualquer tipo de utilização (charrete, montaria, corrida, rodeios e outros) dessas criaturas lindas e sonho com sua liberdade. Seria ingenuo acreditar que a regulamentação vai garantir algo, alem do mais, regulamentação do que? De todos esses itens que você citou acima com os quais concordo plenamente. É o mesmo que o abate humanitário, bem estarismo, ets,...tremendo faz de conta, descarrego de consciência.

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  5. Ana Lucia Nunes18/08/2013 20:46

    NÃO AO TRABALHO ANIMAL !!! SEJA DE "CARTEIRA ASSINADA OU ILEGAL" !!!
    A triste e vergonhosa realidade desse país que é "dos males o menor","votar no que rouba mas faz" e outras do gênero, tem que acabar !!!
    Animal não é diversão e muito menos meio de trabalho.
    A nossa luta é para que essas crueldades com TODOS os animais, que chamam de diversão, acabe em qualquer lugar desse planeta.

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  6. Olá. Boa noite!
    Confesso que estou cansada de ver o quanto os animais sofrem pelas velhas questões egoicas dos seres humanos. Queremos ajudar os cavalos das Vitórias? Mãos na massa, exatamente como o faz a D. Ana Cristina Ribeiro. Trabalha os projetos, leva-os à Câmara, luta pelas aprovações, estuda as leis, acolhe as denúncias, leva-as ao Ministério Público, entra nas Escolas e obtém espaço no currículo escolar para o Bem-Estar Animal. Conseguiu a capacitação da maioria dos charreteiros na condução e trato dos cavalos, veterinários, microchipagem dos animais, além de denunciar e de cobrar do Poder Público a parte que a ele cabe. Mas, tudo isso dá muito trabalho e fica bem mais fácil a gente propagar um monte de informações truncadas e que acabam me levando a perguntar por quê? Eu também quero o fim da exploração animal, mas enquanto isso não é possível, vamos garantir a eles qualidade de vida, mantendo-os sob os nossos olhos. Quantos protetores podem oferecer abrigo e arcar com as despesas desses animais? Quantos protetores não comem carne, ovos, leite e derivados, não usam couro e se dão ao trabalho de ler os rótulos dos produtos que consomem a fim de excluir os que infligem sofrimento animal? Vamos, também, desenvolver um novo olhar sobre os nossos animais de estimação, já que eles sofrem quando ficam sozinhos, alimentam-se apenas de rações e seguram a barra das nossas variações de humor, das nossas tristezas e lamentações, etc. Precisamos também libertar os cães-guias, os cães-policiais e todos os animais utilizados pelo homem porque todos trabalham para nós! Eu realmente desejo isso, mas sei que NÃO DÁ PRA SER JÁ. Então, vou tentando fazer o melhor que posso, o que inclui conscientizar os meus jovens alunos.
    Sou petropolitana e parece que o Sr.Anônimo também, ou vive aqui. Tenho 57 anos, fui professora de Biologia por 30. Nunca vi ninguém se levantar contra a situação dos cavalos das Vitórias até a intervenção da ONG AnimaVida. Como professora sei por experiência que todo processo de conscientização é lento, infelizmente! Mas, piora bastante quando a gente se divide. Enquanto nossos egos falarem por nós, os animais continuarão como estão e isso é muito triste.
    Maria Cristina.


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  7. rosa elisa villanueva19/08/2013 10:16

    Sheila,
    Odeio quem faz comentários sem se identificar. Essas pessoas se não tem coragem de mostrar a sua identidade, com certeza não estão fazendo muita coisa pelos animais. Acho que é um avanço importante a "carteira assinada" desses cavalos, no litoral do pará, uma promotora está fazendo isso por lá. O trabalho nas charretes é legalizado, mas o trabalho nas carroças corre solto ao arrepio de qualquer lei. Vamos juntos melhorar a situação desses animais.

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  8. Gente da proteção animal devem ter o poder de fiscalização. Não acredito em nossos governantes, pois a burocracia é tanta que tudo se perde, inclusive as boas intensões.

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