28/12/2012

Bem-estar para os animais de abate... o que você acha?

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Minha proposta  é promover reflexão: é válido se tentar melhorar as condições que os animais de abate vivem e morrem? Esta matéria foi publicada pelo Globo Rural e peço a quem puder esclarecer postar seu comentário. Todos nós precisamos ter conhecimento para analisarmos e julgarmos com isenção, principalmente, o que isto representa, historicamente, dentro da causa de defesa animal.

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Cresce no Brasil interesse pelos cuidados na criação de animais antes do abate
por Agência Brasil
Foto: Ernesto de Souza
O modo de criação dos animais até o abate estaria relacionado com a qualidade do alimento que vai para a mesa. O interesse pelo assunto cresce no Brasil e o bem-estar animal passa a ser uma das exigências dos consumidores.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, o mercado que dá prioridade ao bem-estar animal ainda é pequeno e desconhecido. Faltam produtores que sigam regras de bem-estar animal, faltam normas que regulamentem o setor e falta conhecimento dos consumidores. Mas uma pesquisa da veterinária Carla Molento, membro da Comissão de Ética, Bioética e Bem-Estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária, mostra que quando conhecem o sistema de produção intensivo os consumidores se tornam mais exigentes.


Carla Molento consultou 481 pessoas que faziam compras em supermercados em Curitiba, perguntando o que levavam em conta ao comprar frango. Em um primeiro momento, apenas 3,7% disseram se preocupar com o bem-estar animal. No entanto, quando viram fotos do sistema produtivo, o percentual subiu para 24,1%. A pesquisa mostrou que 70,9% dos consumidores pagariam mais por produtos com certificação de bem-estar animal, carne firme e rosada.

“Intensifica-se a criação com o intuito de aumentar a produção, colocando mais animais em uma área muito pequena. Isso cria animais com múltiplos problemas de saúde. O objetivo é ter muita carne com o menor custo possível. Boa parte desse custo está sendo paga pelo animal”, diz a pesquisadora.

Segundo ela, a produção intensiva, mais praticada no Brasil para aves e suínos, tem mais de 40 anos e acaba se tornando mais competitiva no mercado. Um produto que valoriza o bem-estar animal custa cerca de 30% a 70% mais caro e, em alguns casos, o preço pode dobrar, comparado a produtos similares.

As normas que regem o setor também são falhas. A Instrução Normativa nº 3/2000 aprovou o Regulamento Técnico de Métodos de Insensibilização para Abate Humanitário de Animais de Açougue. Pelo regulamento, todos os estabelecimentos industriais fornecedores de carne para açougue devem sedar os animais antes do abate.

Além dessa norma, as demais tratam de aspectos sanitários, de vacinação, de regras para o ambiente de criação. Não há na legislação brasileira normas específicas que visem ao bem-estar, o que torna subjetiva a fiscalização e até mesmo a certificação dos produtos que chegam ao consumidor.

No Brasil, existe apenas uma certificadora, a filial da francesa Ecocert, que segue as normas da Humane Farm Animal Care (Hfac), certificadora norte americana. A empresa tem apenas cinco clientes na área animal contra 5 mil produtores de orgânicos certificados. Segundo o diretor-geral da empresa, Luiz Mazzon, o número de clientes não vem crescendo. “Muita gente pergunta, mas não temos um aumento no pedido de certificações”. O movimento é mais forte na Europa e nos Estados Unidos, países compradores de carne brasileira.

Segundo o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil lidera o ranking de maior exportador de carne bovina do mundo desde 2008, e as estatísticas mostram crescimento de 2,15% ao ano para os próximos anos. O país também lidera a exportação de frango, com crescimento previsto de 4,22% ao ano. Em carne suína, o país é o quarto maior exportador.

Para atender aos mercados mais exigentes, o país adotou o abate humanitário, mas tanto Mazzon quanto Carla Molento acreditam que o bem-estar deve ter maior destaque para que o país mantenha as exportações nos próximos anos.

16 comentários:

  1. Sheila, acho esse assunto delicadíssimo e já gostaria de deixar aqui colocado que sou da paz, *vegetariana* e educada.

    Já postei minhas considerações aqui que, enquanto houver consumo de carne animal (e o entendimento contra o consumo de carne animal perpassa pela Educação Social, Educação Escolar e de Conduta -aquela que a gente recebe em casa) eu percebo que é menos ruim, cruel e desgraçado aos animais que se tenha abate humanitário a não ter nada, a continuar como é.

    Sejamos honestos em admitir que ainda é difícil, culturalmente teclando, que a sociedade compreenda, com o alcance necessário e abrangente, tudo o que cada e todos animais passam até serem consumidos. Incluí-se nesse entendimento, até, visões religiosas que acatam que animais são seres para servir ao homem...

    Reitero que é um assunto difícil, que me deixa meio lá meio cá e que gera, se as opiniões não forem lidas com criticidade, muito bate-boca.

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  2. O problema que existe não é só você pagar a mais pelo produto, é também muito difícil encontrar quem produza esses produtos tendo em vista o bem estar animal seguindo todas as regras de vacinação e cuidados com estes animais. Conheço locais que criam porcos, ovelhas e até galinhas, porém não tenho nenhum tipo de segurança em relação aos cuidados com estes animais. Sem contar que no geral os micro agricultores nem se importam em como o animal é morto.
    Eu como carne sim. Infelizmente compro no mercado onde vejo milhões de quilos de carne exposta, mas ainda não encontrei outra solução para isso. A opção de compra que tenho é o supermercado mesmo. Mas sou a favor do equilíbrio: assim como antigamente saíam para caçar e jantavam a caça, da mesma forma deveríamos considerar a compra da carne - comprar o suficiente para a refeição e não simplesmente querer se mostrar rico e só comprar quilos e mais quilos de picanha pra engordar toda a família nas churrrascadas todo domingo.

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  3. Luto pela abolição. Considero uma indecência criar animais para que sejam assassinados.Entretanto, se eu fosse um desses infelizes, condenados pela insanidade humana, preferiria ter maior conforto durante minha curta existência e a morte mais indolor possível.

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  4. Também sou vegetariana, e acho que se as pessoas se dessem conta que hj em dia temos tantas opções de alimentos, sem a necessidade do sacrifício animal, com certeza estariam galgando mais um degrau na evolução do ser humano. Estamos somente alimentando a indústria milionária da produção animal, onde os animais são somente um número, é uma pena!!!!!

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  5. Concordo com a Paula que o fim do sofrimento dos animais passa pela educação e que como indivíduos eles merecem qualquer coisa que possa diminuir seu sofrimento, mas não vamos nos iludir quanto à motivação das medidas comentadas na matéria.
    Infelizmente tanto o Globo Rural quanto o Ministério da Agricultura estão mais preocupados com a certificação para exportação e com "a carne firme e rosada" do que com a compaixão com os animais. Nunca li no Globo matéria que tratasse com transparência a maneira cruel como os animais de consumo são criados e abatidos... Nada como agências certificadoras e instruções normativas para produzir o milagre do churrasco sem culpa!!




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  6. Convencer as pessoas de que e errado mau tratar e abandonar os animais ja e uma batalha,imagina mostrar para essas pessoas que elas vao pagar mais caro por um produto pelo qual o animal nao sofreu. A maioria dos brasiileiros nao sabem o q se passa em um abatedouro,a politica publica nao tem o menor interesse em expor a verdade para a populaçao e isso tem mais a ver com interesse financeiro do que o bem estar animal.Quem ja leu a historia de Temple Grandin? sabe da luta que ela teve para mudar o sistema de abate de gado.Primeiro o brasileiro vai ter de mudar seu jeito de agir, pensar e questionar sobre aquilo que consome, para depois seber o que cobrar das autoridades,a maioria de nos nao sabemos de onde vem? como e produzido? como e alimentado? como e colhido? o alimento de cada dia.

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  7. Ser vegetariano é apenas um meio de tentar se enganar, de tentar não sentir culpa, o pior sofrimento é o da vaca leiteira e das galinhas então se vc não é vegano é apenas vegetariano vc não tem quase diferença alguma de um onívoro, se fosse por motivos éticos mesmos seria mais correto então comer carne e não consumir laticínios

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    1. Cara Gisele, sou vegetariana e com muito orgulho do bem que faço em não consumir animais, mas, sinceramente, me ofende deveras que aponte-me como "tentar me enganar", "é apenas vegetariano vc não tem quase diferença alguma de um onívoro," e ainda "se fosse por motivos éticos".

      Vamos somar à Causa Animal e não tentar diminuir, fazer pequenez e pecha com aqueles que trabalham em prol de um planeta igualitário e uma sociedade planetária.

      Voce poderia ter colocado tudo isso sem trazer a tona alguma questão ofensiva a mim e aos tantos vegetarianos que frequentam o Blog.
      Se ser Vegano é ficar teclando comentários assim, continuo vegetariana. De verdade!

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    2. O pior sofrimento é o do gado de leite, a vaca fica a vida inteira tendo seus bezerros arrancados e com as máquinas de sucção em suas tetas presas em espaços que só cabem ela, até que muitos anos depois quando não puder mais produzir vai ser abatida, já o gado de corte é apenas engordado e vai pro abate, portanto o leite é o pior sofrimento animal, se vc é vegetariana vc o é por qualquer outro motivo, não pelo sofrimento, pq se fosse pelo sofrimento seria mais coerente comer carne e não comer laticínios, vc está enganando a si mesma apenas

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    3. São por colocações imaturas e deselegantes como as suas que acontecem guerras religiosas, por puro fundamentalismo fanático em acreditar que sempre as suas posturas são melhores que as alheias.

      Sua postura ao outro já demonstra isso.
      Voce quer é discussão inócua na rede para provar algo a si mesma, e não a mim. E eu sou da paz, vegetariana e educada, repito.

      Gisele, volte em 2013 mais humilde. Bjs, my dear.

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    4. Esta enganando a si mesma apenas, não estou aqui para brigar, e sim para informar, reflita na minha opinião ao invés de me criticar, em momento algum eu te ofendi, eu não ofendo nenhum ovolacto nem onívoro eu apenas os convido a pensar

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  8. Cristina Calixto30/12/2012 01:05

    Desculpem pela opinião. Sou vegetariana e, nesse ponto, radical: não existe bem-estar que me convença de que o animal melhor tratado morra mais feliz. Morte é morte e ponto final.

    Por que não comemos nossos parentes, quando morrem? Ou nossos filhos? Ou parentes? Não parece absurdo que deixemos terrenos em locais valorizados serem ocupados por cemitérios? Qual seria o objetivo de nossa cultura deixar um corpo apodrecer?

    Perdoem o radicalismo. Vida é vida e não somos Deus para tirar a vida de nenhum animal e nem de humanos.

    Não parece uma tremenda hipocrisia tratar tão bem um animal ao qual se lhe tirará a vida de forma abrupta? Não parece uma enorme traição com o animal?

    Bem-estar de animais de abate é apenas uma satisfação que esses fazendeiros e granjeiros têm para angariar simpatia para o produto que comercializam.

    Alguém já notou que os comerciais e propagandas de churrascarias têm sempre bois e vacas felizes? Da mesma forma o frango da Sadia ganhou fama nos comercias de TV, com o desenho engraçadinho que incita as crianças desde a mais tenra idade de que consumir seus produtos é que é saudável e correto.

    Não concordo com nada que se relacione com a finalidade de "bem-estar" de animais de abate. Os animais podem até ser melhor tratados, mas jamais terão um nome, carinho ou tratamento personalizado. Tudo é uma tremenda maldade"!

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  9. Se as regras de bem estar aumentam o custo de produção vc acha que o produtor vai aderir?

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  10. Sou ovo-lacto-vegetariana,há mais de 30 anos,e tento eliminar, cada vez mais, o consume de leite e ovos,apesar de ser já bem restrito.Mas não podemos negar que a quantidade de carnívoros,ainda é muito grande,e,infelizmente,não será tão cedo que o consumo de carne,tanto vermelha,branca e a de peixe,terá o seu fim.Enquanto isso,não ocorre,sejamos realistas...se faz necessário,a eliminação do sofrimento do animal,criado para o abate,tornando a sua curta existência,mais digna e agradável possível.Os animais são torturados desde o seu nascimento e sujeitos à todo o tipo de maus-tratos,em benefício do aprimoramento do paladar e do rendimento...Isso não pode e nem deve continuar...O animal sofre e até pressente o seu fim,há 2 tipos de sofrimento:o físico e o emocional...Essa história de achar que animal é feito para o nosso consumo,sendo tratado,apenas como um produto,tem que acabar...tem que se criar uma lei que trate esses animais com mais humanidade e respeito,pelo menos isso...,a conscientização tem que ser criada,t.bém.,nos criadouros e nos matadouros....Abçs

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  11. Quando decidi me tornar vegana eu achei que seria muito difícil eliminar os laticínios da minha minha vida, hj vejo que na verdade foi bem mais fácil do que eu imaginava, eu convido vcs a se testarem, mesmo que falhem, vcs vão ver que não é um bicho de sete cabeças, acessem o site do vista-se lá tem bastante informação e bastante informação de lugares que vendem comida vegana, sugiro tb comprarem ao menos um exemplar da revista dos vegetarianos ou baixar do site do vista-se, lá tem alguns gratuitos pois lá têm endereços de restaurantes vegetarianos, recomendo tb blogs de receitas como o papacapim, um ótimo blog e o tb vegetarirango, tem página deles no face, o livro "virei vegetariano e agora?" do Dr Eric Slyvitch também é excelente para quem está começando nesta empreitada, ele desmente todos os mitos vegetarianos, recomendo mesmo, é bem pequeno e fácil de ler...

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    1. Ser vegano não significa não comer ovos e tomar leite e sim não usar nada de origem animal. O vegetariano não toma leite e não come ovo.
      Quem não consome carne, mas, come ovo e toma leite é ovo-lacto-vegetariano.
      O vegano além de ser vegetariano não usa absolutamente nada de origem animal; sapato,bolsa, etc.

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